Sexta-feira, Maio 01, 2009

Até lá...


Faz tempo... tanto que os dedos tremem no teclado e a cabeça só pensa no que irá sair daqui.

O tempo em que escrevia sem pensar e só olhava para o resultado no dia seguinte passou. Outras modas se seguiram. Responsabilidades diferentes, pessoas, mentalidades, um mundo novo pela frente.

O gosto pela escrita continua. Tem estado escondido ou adormecido, mas acredito que voltará.

Por enquanto a matéria tem estado a ser devidamente absorvida e vai ser meticulosamente encadeada no processo criativo das alarvidades literárias que possa vir a debitar. Até lá...


Abraços e beijos...



P.S.: Ainda vem cá alguém? ;-)

Segunda-feira, Novembro 27, 2006

Há um ano...


A janela estava aberta, espreitei e vi um vulto que desaparecia deslizando pela noite…
Tranquei a janela… a mesma que teimava em estar aberta todas as noites. Puxei dum cigarro que se acendeu sem dar por isso. Em quanto pensava na cor mais propícia para os azulejos da casa de banho, ouvi um grito. Era a vizinha da frente… Lá está ela outra vez, pensei eu…

Advogada. Trinta e um anos acabados de fazer. Consta que deslumbrava os professores nas orais com as suas mini-saias a ponto de os distrair nas respostas incompletas e nada “constitucionais”. Singrou…concluiu o curso com a brilhante média de 17 valores. Enquanto colegas seus se esfalfavam para arranjar emprego, alguns desesperados ao ponto de se inscreverem no MacDonald’s, Manuela, mais conhecida por “Boca Doce” lá para os lados da Cidade Universitária, arranjou emprego na 1ª entrevista e logo num dos melhores escritórios de advogados da capital.

Novembro de 2005… Algures nos subúrbios de Lisboa uma pessoa de mentalidade obscura, decide expor os seus delírios e devaneios linguistas na Internet. Foi o princípio de uma masturbação mental que cativou meia dúzia de anormais, sete ou oito cépticos, e um número indeterminado de pessoas bem formadas (mas praticantes de bdsm) que comentavam com prazer todo o tipo de alucinações literárias que esse sujeito idiota transcrevia para o processador de texto…

O que vale é que não tinha sono, se não ia lá bater à porta perguntar se a vizinha precisava dum calmante. Já andava desconfiado que havia qualquer coisa de estranho, até que um dia, estando a minha janela teimosamente aberta sem saber porquê, ouvi um burburinho e descobri que a vizinha apreciava sexo em grupo. Houve um dia até, que à porta do prédio estava estacionada uma carrinha do Grupo Desportivo “Os Implacáveis da Cova da Moura”. Nem imaginam o que ia lá para aquela casa. “Alfredo! Sai da frente pá! Agora é a minha vez!”

Os meses iam passando… a quantidade de posts ia aumentando. Alguns até elaborados com special guest’s. O público também cresceu e a verdade é que o gosto pela escrita parecia uma bola de neve. A realidade é que quanto mais frustrado o “artista” se sente, mais vontade tem de escrever, mais delira num mundo de imaginação, em que o sonho e a indignação, apimentados por mais um ror de condimentos se misturam num sentido compreendido por uns e inexplicável para outros.

Manuela gritou… de dor, de frustração. O sonho que a tinha levado a sair da Lourinhã, um sonho molhado e premonitório das cheias de há uns dias atrás, ainda não se tinha concretizado… Queria fazer vida na casa mais badalada de Lisboa. Foi rejeitada e resolveu estudar… Não podia ouvir falar da Paula, a célebre prostituta que andou a rodar os jogadores da selecção nacional de futebol, roída pela inveja. Tornara-se uma perita nas leis, mas na cama era muito má. A sua última e recente tentativa tinha sido um contrato com a selecção de râguebi, mas fora rejeitada por ter a cara semelhante à do capitão… Tinha acabado de receber essa notícia por um emissário incógnito…

As visitas cresceram, estagnaram, diminuíram, consequência de uma cadência de novidades que definhou também. Não terá sido por falta de vontade, de imaginação… A verdade é que o tempo está mais ocupado e os livros de estudo regressaram. Há um ano que existe o blog com o nome mais estúpido da blogoesfera , mas é meu e com muito gosto. Prometo novidades, conforme o estudo permitir e a imaginação deixar. Porque a escrita não é só um hobby, é uma paixão e… porque o meu sonho nunca foi ser puta como era o da Manuela…

Ouvi um tiro… um silêncio pesado impôs-se até ser interrompido por um cão a uivar ao longe… No dia seguinte soube… Manuela suicidara-se com um tiro na mama esquerda! Uma morte honrada na profissão que nunca teve…

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

Fungos!!!



Por norma as pessoas quando pensam em fungos, têm logo uma suave impressão de asco em relação à palavra… Os fungos são coisas nojentas, cheias de doenças e coisa e tal… E os cogumelos? São o quê?

São bons! Todos os dias respondia à questão com o mesmo enfâse! Os cogumelos não são bons! São óptimos!

Frescos é do melhor… mas se compras enlatados… por favor… compra cogumelos inteiros e nunca, mas nunca laminados… Isso de laminados é para cocós que não sabem e não conhecem a essência do iluminado rei dos fungos!

Quando temos a consciência certa do sabor e do gosto que temos por algo ou alguém, é porque somos dedicados. Gostamos do conjunto…do global… enfim do enfeite que vem no embrulho e esperamos sempre que o conteúdo seja de qualidade. A pior coisa que pode acontecer é abrires uma “embalagem” que tem um rótulo “x” e quando te dás conta o conteúdo é “y”…

Faz lembrar os políticos… Prometem e falam… Prometem e dão canetas… Os mais sofisticados oferecem frigoríficos e microondas. Dizem que sim e vendem a palavra em benefício do voto. Quando eleitos…abres a embalagem e só vês merda… Onde pára o respeito, a honra, a promessa de cumprimento ou o cumprimento da promessa? Logicamente que vês… o podre, o verdete, o emaranhado da classe nojenta que representa o que Judas foi para o J.C.!

Nem tudo o que tem verdete é mau… nem tudo o que tem fungos é mau…O conhecidíssimo queijo Roquefort é bolorento e é divinal… Ui! Ca bom! Sabe bem não sabe?

Chateia-me ir ao supermercado e comprar enlatados do rei dos fungos, vulgo, cogumelos e optar por os comprar inteiros… Um dia e cheio de apetite para confeccionar os ditos como só eu os sei fazer (sou um especialista, modéstia à parte…), abrir o enlatado e verificar que o conteúdo não corresponde ao rótulo… Foda-se! São laminados!

O teor das promessas é bonito por fora…como um belo embrulho de Natal … Depois de veres a diversidade que a prateleira te oferece…optas… Que os políticos sejam aldrabões, não é novidade… Mas por favor… Ainda há fungos superiores a essa corja… Não acabem com a essência do cogumelo! Mais vale um cogumelo inteiro, que alimenta, que um político “pavloviano” que só te deixa água na boca…

Sexta-feira, Setembro 29, 2006

Tosta de porco...

Depois de saber que os percebes iam ter uma época de defeso, decidi voltar a atacar na escrita… Nada melhor do que escrever umas baboseiras para colmatar essa lacuna que vai ser o problema do percebe congelado…

Bem sei que escrevo umas merdas… Há quem diga que tenho jeito, há quem diga que só escrevo…merda… Mas não me importa. Desde o inicio que assumi… Mais vale uma crítica negativa a não haver crítica nenhuma! Afinal um blog com este nome só mesmo de um gajo que não bate bem…

Tenho uma tese que vos vou explanar. Sucintamente, porque há quem diga que me alongo alarvemente na construção metafórico silábica das merdas que digo… Continuemos para bingo e evitando impropérios, apesar de só me apetecer dizê-los…

Foda-se! Um dia um gajo dá por ele a pensar… “ Sou tão bonzinho e tão puro, que o que mais quero na vida é uma tosta mista à minha altura!”. Bem pensado, mas isso depende se a tosta é de presunto… paneleirices inovantes de proprietários de bares desesperados com a crise que se mantem… Venha a bela sandes de corato…digo eu…

Ia começar uma tese, parece-me… Aqui vai! Se és puro e procuras algo que pensas que merece o teu alcance… Tótó! És um anjinho! Se comparares a tua vida a uma tosta… cuidado com o presunto, porque se queres presunto virgem e “pata negra”, se achas que a vida é bela…és um mero balde de qualquer coisa…um iludido da vida!

Subitamente e depois de tentares compreender a génese da coisa, complicada diga-se de passagem, surpreendes-te quando descobres que o presunto que até não precisava de manteiga, porque era de extrema qualidade, decide adoptar um porco velho… Género… eu tenho idade para ser o chefe da vara… Já comi porcas a torto e a direito, mas como deixei de ser porco e virei um anjinho, acho que um presunto desse calibre merece uma benesse… Agora sou um baril…

Do outro lado da coisa, vês-te suplantado por uma razão inexplicável de frustração… O meu problema é ser porco novo… Como não posso ser um porco velho, talvez se tivesse sido um porco porco, a coisa tivesse funcionado. Por puro sentimentalismo a uma causa que era sentida e pura… Preservação do ideal sentimental…

De que serve a revolta se sentes um amargo no palato? Se o passado transforma-se no presente pesadelo e se sabes que a tua tosta tinha uma coisa que nenhuma outra poderá ter? Sabor… Sensação pura e translúcida que por mais porcos velhos que sirvam de escape, existe alguém que um dia vai pensar que não se troca carne de porco velha e “corrupta”, pela sensação de trincar uma tosta ingénua, mas verdadeira!!!

Sexta-feira, Julho 28, 2006

Erase and rewind...

Claro que não entendo… mas compreendo porque pensas assim! No fundo trata-se de uma questão de relacionamento que não existe…logo, é normal que assumas uma posição que não corresponde à veracidade do carácter…

É fantástico! É deveras interessante quando nos sentimos alvo de “estudo” por parte de outrem… É mais apetitoso ainda quando sabemos que a ideia que fazem, não corresponde à legítima e pura essência do meu ser. E como é o meu ser? Em duas palavras… Im Pressionante… como diria o toureiro espanhol que foi alvo de chacota televisiva e não só, após ter visitado o malogrado Papa João Paulo II…

Não é uma questão de ser ou deixar de ser passarinho…também não se trata de ser um cão que ladra e deixa de morder… Trata-se de ser apenas e só uma pessoa com princípio, meio e que o fim esteja lá longe! Obviamente a culpa será só minha, mas consequência das diversidades inerentes às contingências da vida, aprendi a criar uma carapaça defensiva em relação aos arremessos exteriores que podem ferir o bem estar rafeiro do canino que não morde… apenas ladra!

Tinha eu os meus dezoito anos e fui à mítica Feira da Ladra… comprei umas botas militares. À paraquedista segundo consta. A verdade é que nunca fiz um salto que se diga de jeito, mas o facto é que as botas ainda duram e só não as uso porque, acho eu, passaram de moda… Temos pena! No fundo foi uma boa compra. As gajas deram e levaram pontapés e continuam teimosamente a durar. Como quem diz: “ Compraste-me? Agora hás-de levar comigo até ao resto da tua vida!

Pertinente... Senti-me bloqueado no “outro” dia. Fiquei triste, logo a seguir fiquei contente, imediatamente depois fiquei sem reacção… Facto? É fácil termos atitudes espontâneas sem pensarmos com a razão no sítio. Causa? A infelicidade da questão não me permite discernir o que se passa pela cabeça de outrem… Conclusão? Não sei, tirando o facto de que se pudesse vislumbrar o que percorre a mente... a mente alheia, tornaria as coisas bastante mais fáceis… Ilação a tirar? Se porventura conseguisse ler os pensamentos alheios, as coisas perderiam toda a piada existencial… transformaria-me num ser instável, propenso à mudança em prole de outrem!

O clima de verão é assim… quente e propenso a reacções escaldantes. A noite é boa conselheira. O calor é bastante menor e se o céu estiver limpo, as estrelas sorriem lá do alto! Deixemo-nos de reacções irracionais… no fundo não passamos de animais em defesa de um instinto de sobrevivência. Se só valorizamos as vantagens civilizacionais, então sejamos civilizados… se entramos pelo meio termo, então siga a rambóia!

Hoje não tenho sono… Apetece-me partir em busca do desconhecido. Sabia melhor se fosse acompanhado… mas a companhia não se tem…acha-se! Eu acho que já chega de conversa fiada! O rumo é o que nós traçamos… Pois então… Vou ver se acho o meu!

Sexta-feira, Julho 21, 2006

Anacleto

Anacleto não é gafanhoto. Também não é atleta de alto nível. O Anacleto salta como ninguém! Gosta de sandes de presunto, de preferência sem manteiga e tem o estranho hábito de se “benzer” antes de trincar a sua sandes preferida…

Fala português, mas tem um sotaque estranho…Diria que ele não nasceu cá, mas esse pormenor não tem importância. Anda a pé e não precisa de olhar para as placas toponímicas… à noite orienta-se pelas estrelas, de dia pelos ventos. Quem sabe? Talvez um velho hábito do lugar de onde veio.

Anacleto não se chama mesmo assim. Foi o nome que escolheu para a sua passagem por cá. Era um homem do deserto que quis conhecer o mar. Apaixonou-se…
Não tem profissão reconhecida, nem cá, nem em parte nenhuma. Limita-se a viver em paz consigo e com os outros. Transmite sem obrigação, uma paz de espírito a quem se cruza com ele.

Já me disseram que ele não era humano, mas sim uma “besta” enviada pelo senhor dos infernos para nos atordoar e tentar… Não acredito. Há muita coisa que se diz por aí que não passa de delírio ou devaneio. O Anacleto é uma pessoa. Não é normal… vos digo. É especial e raro. É um servo da vida e de toda a sua simplicidade.

Parte amanhã mar adentro com destino a parte incerta. Apenas mais um salto que dá… Boa viagem Anacleto! Para onde quer que vás, continua assim… simples! Como tudo deveria ser…

Segunda-feira, Julho 17, 2006

Where is my mind?


Passei por mim e não me vi… do lado de fora há muita coisa que passa despercebida.

Segues a multidão e dás por ti a correr de um lado para o outro como se fosse normal… Integras-te no ritmo aflitivo e ofegante das “formigas” que mais parecem autómatos e seguem num ritmo desenfreado a rotina diária. Sais de um transporte e enfias-te noutro e nem sequer te vês no meio da maralha que te engole e acelera o passo…

Talvez seja defeito… talvez seja o feitio. É o mal de quem não consegue estar satisfeito com nada, que me deixa derreado. Chama-se a percentagem impertinente do “eu” masoquista. É o gostar de sofrer, é a vontade de atingir uma meta que não conheço e nem sei se existe. A normalidade aborrece-me, mas chateia-me quando não a tenho. O sonho aparece à noite. O pesadelo atormenta o dia.

Hoje acho que sim. Amanhã talvez o entusiasmo me diga que não… Que merda… No fundo tudo passa por uma redundância ridícula do querer esticar o braço e chegar à prateleira mais alta mesmo que, um pouco mais abaixo a outra prateleira não esteja vazia…

Onde está o “Wally”? Não sei… mas vou lá chegar! Mesmo que demore mais tempo… mesmo que me engane mais vezes, mesmo que tudo pareça triste e cinzento. Mesmo que tenha esquecido que a diferença faz toda a diferença! Mesmo que a alegria surja num balão, num sorriso, numa confidência, num olhar! Eu vou-te descobrir! O caminho é em frente!

Nunca… se ficar indiferente…