Opááá!!!
Grupos concertados andam num virote a comprar tudo o que puderem… estamos em saldos e durante o ano inteiro…Um grupo de amigas minhas descobriu que a Bershka estava em liquidação total… Haviam de ver! Alugaram um autocarro e lá foram elas varrer todas as lojas da grande Lisboa! Foi uma invasão tremenda! Ninguém conseguia lá entrar…Pareciam um bando de araras tresloucadas… É claro que os gajos adoram quando elas vão às compras em grupo. É da maneira que eles também se juntam e vão às compras na happy hour da Portugália... De seguida começa-se a falar delas e quando damos pelo tempo, lá se acabou a hora… que fazer? Bem… Sempre se arranja um tasco e vai-se petiscar qualquer coisa a sério, acompanhado de umas boas cervejas…Pois… Porque nesse restaurante franchisado, os bifes agora são de plástico e não vale a pena falar das sapateiras, cheias de tudo menos do animal referido…
Ultimamente tenho recordado aqueles filmes classe B ou até C dos gangsters que eram maus como as cobras e que obrigavam os comerciantes honestos a vender o seu negócio por uma bagatela. Ou o faziam ou era certo e sabido que antes de ficarem com uns ossos partidos, partia-se primeiro o conteúdo do estaminé! Cadeiras a voar, sacos de ração rasgados e espalhados no chão e até uns copos e garrafas partidos. Coitados…eram mesmo obrigados a fazer esse favor…excepto quando aparecia o renegado justiceiro, sem medo de ninguém e que partia as trombas aos maus todos…
Aqui há uns anos, soube de fonte segura, que o Super Homem existia mesmo…O problema é que ele não se lembrava que o era, porque, raptado pelos mauzões, foi violentado e limparam-lhe a memória. Foi o princípio do fim dos super heróis… Agora a malta gosta mais dos DzRt e até começo a concordar….”Para mim tanto me faz, que digas coisas boas ou coisas más”… No fim, quem fica a perder são os pobres comerciantes que são pressionados a deixar uma vida de trabalho e dedicação…
É o último grito da economia financeira em Portugal! Virou moda e cabeçalho dos inúmeros periódicos nacionais! Ofertas Públicas de Aquisição, vulgo OPA’s… A Sonae lançou uma à PT… O “chefe” da PT, veio a público refilar, que não podia ser, porque era uma OPA hostil, blábláblá e a Autoridade da Concorrência, mais não sei o quê… Compreendo o ponto de vista deste senhor… no fundo é o oprimido do filme e o Shôr Belmiro é o vilão que quer o negócio à força… Tenho pena do senhor, mas como já não há heróis, não sei se vamos ver o boss da Sonae aparecer com um olho negro e dizer que afinal não quer a PT para nada e que a mazela no olho deve-se apenas a uma queda de bicicleta… Como te percebo…É sempre péssimo perder a mão num negócio como a PT.
Só entre nós… e o pessoal que estava farto da PT, porque a conta era sempre um descalabro e mudou para a Novis? Desses ninguém fala… Normal... Esses só servem mesmo para pagar a factura…
A última é sobre a Banca. A maior instituição privada nacional, lançou outra coisa dessas, para adquirir a terceira maior instituição do género em Portugal… Tempos de crise, meus caros…mas só para alguns… Se se concretizar o negócio, como vai ser? Será que contratam mais pessoal, ou será que há pessoas que têm que visitar o fundo de desemprego? O nosso ministro das finanças ficou todo contente, declarando que estas operações só revelam que a nossa economia melhora a olhos vistos e recomenda-se…Será?
Tive a pensar com os meus botões… Temos sempre alternativas… Ou a malta adere à moda e lança uma OPA ao bom senso nacional ou então sempre podemos fazer uma vaquinha e tentar recuperar a memória do Super Homem. Afinal…nos filmes em que os maus querem comer tudo, às vezes também acabam a comer aquela comida sem sal, que se serve nos hospitais públicos… Entretanto come-se umas pipocas e disfruta-se o filme...

1 Comments:
Ontem, no cafézito próximo do meu local de trabalho, duas senhoras discutiam uma história qualquer de uma ama que torturou um miúdo, bom, qualquer coisa assim. Elas sabem a minha profissão, então, facilmente me integram na conversa pedindo opinião, etc., enquanto eu beberricava o café e mamava um cigarrito... porque refiro isto? Boa pergunta... A este respeito, assim como relativamente a muitos dos temas que focas neste post, é fácil - demasiadamente fácil - disparar culpas: é o governo que permite estas ilegalidades e não promove uma fiscalização eficaz; são os pais que são irresponsáveis, porque põem os filhos em qualquer lugar; são as amas que recebem uma data de miúdos e depois não se aguentam à carga... enfim, atribuir culpas é uma questão de criatividade...
Com tanta volta, quase me perco no raciocínio... vamos lá, vá!
Na minha opinião, a grande imaturidade tuga reside na falta de responsabilidade de cada um, mais do que governos falhados de aspecto gay/maçónico, mais do que interesses individuais sobrepostos a interesses sociais, enfim... é a falta de responsabilização de cada um de nós por aquilo que fazemos, ou , pegando nas tuas palavras:
"...Entretanto come-se umas pipocas e disfruta-se o filme..."... tudo está óptimo...
Isto prende-se, está claro, com um fundo interno individual pouco elaborado, altamente dependente, e com pouco ímpeto para crescer... como se fosse mais confortável alguém se responsabilizar pelas coisas que faço. Isto é altamente prenicioso, porque, de seguida, permite que me ponha a fazer coisas para as quais não tenho as competências necessárias. Mas faço-o, pelas mais diversas razões: porque tenho de ganhar dinheiro, porque ninguém há-de reparar, porque há pessoas piores que eu, porque, porque, porque... Assim, se fizer as coisas mal feitas, alguém há-de ser o culpado, mas não eu.
Nietzsche e, de seguida, os existêncialistas, referiam (e muito bem, na minha opinião) que a construção primeira seria a do próprio, a do indivíduo. Só este crescimento, este desenvolvimento individual, permite um investimento no grupo/sociedade coerente, porque desenvolvido. Este desenvolvimento passa, entre muitas coisas, pelo funcionamento autónomo, isto é, responsável pelos próprios actos, atitudes, valores, etc.
Actualmente, o que se observa é que a autonomia parece ser desagradável e até mesmo indesejável, e o resultado é um definhamento individual e um colapso social, em que não há um verdadeiro empenhamento para melhorar (o que quer que seja que isto quer dizer)...
ABRAÇOS
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