Terça-feira, Março 14, 2006

Opááá!!!

Grupos concertados andam num virote a comprar tudo o que puderem… estamos em saldos e durante o ano inteiro…

Um grupo de amigas minhas descobriu que a Bershka estava em liquidação total… Haviam de ver! Alugaram um autocarro e lá foram elas varrer todas as lojas da grande Lisboa! Foi uma invasão tremenda! Ninguém conseguia lá entrar…Pareciam um bando de araras tresloucadas… É claro que os gajos adoram quando elas vão às compras em grupo. É da maneira que eles também se juntam e vão às compras na happy hour da Portugália... De seguida começa-se a falar delas e quando damos pelo tempo, lá se acabou a hora… que fazer? Bem… Sempre se arranja um tasco e vai-se petiscar qualquer coisa a sério, acompanhado de umas boas cervejas…Pois… Porque nesse restaurante franchisado, os bifes agora são de plástico e não vale a pena falar das sapateiras, cheias de tudo menos do animal referido…

Ultimamente tenho recordado aqueles filmes classe B ou até C dos gangsters que eram maus como as cobras e que obrigavam os comerciantes honestos a vender o seu negócio por uma bagatela. Ou o faziam ou era certo e sabido que antes de ficarem com uns ossos partidos, partia-se primeiro o conteúdo do estaminé! Cadeiras a voar, sacos de ração rasgados e espalhados no chão e até uns copos e garrafas partidos. Coitados…eram mesmo obrigados a fazer esse favor…excepto quando aparecia o renegado justiceiro, sem medo de ninguém e que partia as trombas aos maus todos…

Aqui há uns anos, soube de fonte segura, que o Super Homem existia mesmo…O problema é que ele não se lembrava que o era, porque, raptado pelos mauzões, foi violentado e limparam-lhe a memória. Foi o princípio do fim dos super heróis… Agora a malta gosta mais dos DzRt e até começo a concordar….”Para mim tanto me faz, que digas coisas boas ou coisas más”… No fim, quem fica a perder são os pobres comerciantes que são pressionados a deixar uma vida de trabalho e dedicação…

É o último grito da economia financeira em Portugal! Virou moda e cabeçalho dos inúmeros periódicos nacionais! Ofertas Públicas de Aquisição, vulgo OPA’s… A Sonae lançou uma à PT… O “chefe” da PT, veio a público refilar, que não podia ser, porque era uma OPA hostil, blábláblá e a Autoridade da Concorrência, mais não sei o quê… Compreendo o ponto de vista deste senhor… no fundo é o oprimido do filme e o Shôr Belmiro é o vilão que quer o negócio à força… Tenho pena do senhor, mas como já não há heróis, não sei se vamos ver o boss da Sonae aparecer com um olho negro e dizer que afinal não quer a PT para nada e que a mazela no olho deve-se apenas a uma queda de bicicleta… Como te percebo…É sempre péssimo perder a mão num negócio como a PT.
Só entre nós… e o pessoal que estava farto da PT, porque a conta era sempre um descalabro e mudou para a Novis? Desses ninguém fala… Normal... Esses só servem mesmo para pagar a factura…

A última é sobre a Banca. A maior instituição privada nacional, lançou outra coisa dessas, para adquirir a terceira maior instituição do género em Portugal… Tempos de crise, meus caros…mas só para alguns… Se se concretizar o negócio, como vai ser? Será que contratam mais pessoal, ou será que há pessoas que têm que visitar o fundo de desemprego? O nosso ministro das finanças ficou todo contente, declarando que estas operações só revelam que a nossa economia melhora a olhos vistos e recomenda-se…Será?

Tive a pensar com os meus botões… Temos sempre alternativas… Ou a malta adere à moda e lança uma OPA ao bom senso nacional ou então sempre podemos fazer uma vaquinha e tentar recuperar a memória do Super Homem. Afinal…nos filmes em que os maus querem comer tudo, às vezes também acabam a comer aquela comida sem sal, que se serve nos hospitais públicos… Entretanto come-se umas pipocas e disfruta-se o filme...

1 Comments:

Anonymous Borderline said...

Ontem, no cafézito próximo do meu local de trabalho, duas senhoras discutiam uma história qualquer de uma ama que torturou um miúdo, bom, qualquer coisa assim. Elas sabem a minha profissão, então, facilmente me integram na conversa pedindo opinião, etc., enquanto eu beberricava o café e mamava um cigarrito... porque refiro isto? Boa pergunta... A este respeito, assim como relativamente a muitos dos temas que focas neste post, é fácil - demasiadamente fácil - disparar culpas: é o governo que permite estas ilegalidades e não promove uma fiscalização eficaz; são os pais que são irresponsáveis, porque põem os filhos em qualquer lugar; são as amas que recebem uma data de miúdos e depois não se aguentam à carga... enfim, atribuir culpas é uma questão de criatividade...

Com tanta volta, quase me perco no raciocínio... vamos lá, vá!

Na minha opinião, a grande imaturidade tuga reside na falta de responsabilidade de cada um, mais do que governos falhados de aspecto gay/maçónico, mais do que interesses individuais sobrepostos a interesses sociais, enfim... é a falta de responsabilização de cada um de nós por aquilo que fazemos, ou , pegando nas tuas palavras:
"...Entretanto come-se umas pipocas e disfruta-se o filme..."... tudo está óptimo...

Isto prende-se, está claro, com um fundo interno individual pouco elaborado, altamente dependente, e com pouco ímpeto para crescer... como se fosse mais confortável alguém se responsabilizar pelas coisas que faço. Isto é altamente prenicioso, porque, de seguida, permite que me ponha a fazer coisas para as quais não tenho as competências necessárias. Mas faço-o, pelas mais diversas razões: porque tenho de ganhar dinheiro, porque ninguém há-de reparar, porque há pessoas piores que eu, porque, porque, porque... Assim, se fizer as coisas mal feitas, alguém há-de ser o culpado, mas não eu.
Nietzsche e, de seguida, os existêncialistas, referiam (e muito bem, na minha opinião) que a construção primeira seria a do próprio, a do indivíduo. Só este crescimento, este desenvolvimento individual, permite um investimento no grupo/sociedade coerente, porque desenvolvido. Este desenvolvimento passa, entre muitas coisas, pelo funcionamento autónomo, isto é, responsável pelos próprios actos, atitudes, valores, etc.
Actualmente, o que se observa é que a autonomia parece ser desagradável e até mesmo indesejável, e o resultado é um definhamento individual e um colapso social, em que não há um verdadeiro empenhamento para melhorar (o que quer que seja que isto quer dizer)...

ABRAÇOS

12:55 PM  

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